Adopção da Inteligência Artificial pode acelerar desenvolvimento de Moçambique
A adopção responsável da Inteligência Artificial (IA) nos sectores de trabalho, agricultura, saúde, educação e outras áreas estratégicas pode contribuir para acelerar a transformação digital e ampliar as oportunidades de desenvolvimento económico e social em Moçambique.
A aposta no desenvolvimento de competências nacionais, na criação de infra-estruturas digitais e na participação activa da sociedade na construção das políticas públicas de IA constitui um dos caminhos para que o País possa tirar maior proveito das oportunidades oferecidas por esta tecnologia.
Esta perspectiva esteve em destaque no AITOUR #17 Maputo, realizado hoje, 16 de Setembro de 2026, no Edifício Sede do Banco Comercial e de Investimentos (BCI), em Maputo, sob o lema “Menos Hype. Mais valor real”, encontro executivo dedicado à Inteligência Artificial aplicada, transformação digital e ao impacto destas tecnologias nos negócios, instituições e sectores estratégicos.
Durante o evento, foi defendido que o País reúne, igualmente, condições que podem favorecer o desenvolvimento de uma economia digital assente na IA, nomeadamente através do potencial de produção de energia solar, disponibilidade de recursos hídricos e possibilidade de expansão da capacidade nacional de centros de dados. Para transformar estas condições em resultados concretos, torna-se fundamental investir na formação e capacitação de pessoas, criando competências capazes de desenvolver, adaptar e utilizar tecnologias de Inteligência Artificial.
A criação de competências nacionais é também considerada essencial para assegurar maior participação de Moçambique no desenvolvimento de soluções e plataformas baseadas em IA. O domínio de algoritmos, dados e tecnologias digitais poderá permitir que o País passe de consumidor a participante activo na construção de soluções tecnológicas adequadas à sua realidade e às necessidades da sociedade.
A educação assume, por isso, um papel central neste processo. Foi defendida a necessidade de reflectir sobre a actualização dos currículos dos diferentes níveis e áreas de formação, de modo a preparar os cidadãos para um mercado de trabalho cada vez mais influenciado pelas tecnologias digitais e pela Inteligência Artificial.
A preparação das pessoas poderá também contribuir para reduzir os riscos associados à transformação do mercado de trabalho. Neste sentido, a questão central não deverá ser apenas o impacto da tecnologia sobre determinados postos de trabalho, mas sobretudo a capacidade dos trabalhadores adquirirem novas competências para trabalhar com as ferramentas digitais e de IA.


Outro aspecto considerado fundamental é a participação da sociedade na definição do futuro da Inteligência Artificial no País. Neste âmbito, foi lançado um apelo à Associação Moçambicana de Inteligência Artificial (AMIA), aos profissionais do sector, instituições académicas, empresas e à sociedade em geral para contribuírem com ideias, sugestões e propostas para a elaboração da Estratégia Nacional de Inteligência Artificial, actualmente em desenvolvimento pelo Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC).
A participação de diferentes sectores da sociedade permitirá que a estratégia nacional tenha em consideração os desafios e oportunidades existentes em áreas como educação, saúde, agricultura, indústria, administração pública, emprego, inovação e desenvolvimento empresarial, assegurando uma abordagem mais abrangente e orientada para resultados.
No AITOUR #17 Maputo, o INTIC, representado pelo PCA, Lourino Chemane, que participou como orador no painel intitulado: “Do potencial ao impacto: como acelerar a adopção da IA em Moçambique”, espaço que permitiu abordar questões relacionadas com o desenvolvimento de políticas e estratégias, regulação, capacitação institucional, parcerias e criação de condições para uma adopção segura, responsável e inclusiva da Inteligência Artificial.
Para Moçambique, a Inteligência Artificial representa, deste modo, não apenas uma nova tecnologia, mas uma oportunidade para fortalecer a capacidade produtiva, melhorar serviços, estimular a inovação e criar novas possibilidades de desenvolvimento, desde que a sua adopção seja acompanhada pelo investimento necessário em pessoas, conhecimento e infra-estruturas digitais.
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