PCA DO INTIC ABORDA PROTECÇÃO DE DADOS, INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E CONFIANÇA DIGITAL NO ESPAÇO LUSÓFONO

PCA DO INTIC ABORDA PROTECÇÃO DE DADOS, INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E CONFIANÇA DIGITAL NO ESPAÇO LUSÓFONO

Decorreu, no dia 10 de Setembro, um webinar promovido pela Associação Internacional das Comunicações de Expressão Portuguesa (AICEP), subordinado ao tema “Protecção de Dados, Inteligência Artificial e Confiança Digital nos Países Lusófonos”, que reuniu especialistas de Moçambique, Portugal e Angola para reflectir sobre os desafios e oportunidades associados à transformação digital.

O encontro contou com a participação do Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC), Prof. Doutor Lourino Chemane, como orador, ao lado de Inês Antas de Barros, Sócia da Área de Comunicação, Protecção de Dados e Tecnologia da VdA – Vieira de Almeida, de Portugal, e Njunjulo J. António, Director do Gabinete Jurídico da Agência de Protecção de Dados (APD), de Angola.

Na sua intervenção, o PCA do INTIC fez uma contextualização sobre a transformação digital e o crescente valor estratégico dos dados, destacando que os dados e a Inteligência Artificial (IA) estão a transformar os serviços públicos, as empresas e a vida dos cidadãos, através da automatização de processos, personalização de serviços e apoio à tomada de decisões.

Segundo o PCA, os países lusófonos partilham desafios comuns na construção de um ambiente digital seguro e de confiança, particularmente no que diz respeito à protecção da privacidade, segurança da informação e salvaguarda dos direitos dos cidadãos. Neste contexto, defendeu a necessidade de promover a transparência, a responsabilidade e a não discriminação, criando condições para que a inovação tecnológica avance sem comprometer os direitos fundamentais.

“A confiança digital exige protecção de dados, segurança cibernética e utilização ética da Inteligência Artificial”, salientou o PCA, sublinhando que os reguladores desempenham um papel fundamental na criação de garantias, no estabelecimento de regras e na responsabilização dos diferentes intervenientes do ecossistema digital.

Na ocasião, o Prof. Doutor Lourino Chemane destacou igualmente a necessidade de Moçambique consolidar a sua arquitectura institucional de segurança cibernética, como condição para assegurar uma protecção eficaz do Estado, da economia e dos cidadãos no espaço cibernético.

Neste âmbito, apontou para a necessidade de operacionalização do Conselho Nacional de Segurança Cibernética, com a responsabilidade de assegurar a coordenação e monitoria das matérias de segurança cibernética a nível nacional.

Referiu igualmente a importância da operacionalização da Autoridade Nacional de Segurança Cibernética,  bem como do fortalecimento de mecanismos especializados, incluindo um Centro Nacional de Atendimento e Resposta a Incidentes de Segurança Cibernética (CSIRT Nacional) e uma estrutura dedicada à Protecção de Dados Pessoais.

A arquitectura envolve diferentes sectores estratégicos da sociedade, incluindo a Administração Pública, defesa, segurança e ordem pública, operadores de telecomunicações, infra-estruturas críticas, serviços financeiros, plataformas digitais e de dados, academia, entre outros sectores relevantes.

A intervenção do PCA do INTIC enquadrou-se, assim, no debate mais amplo sobre a necessidade de equilibrar inovação tecnológica e protecção de direitos, num contexto em que a expansão da IA e a crescente utilização de dados exigem novas abordagens de governação, segurança e confiança digital.

O PCA do INTIC propôs igualmente uma agenda lusófona para a confiança digital, que inclui o reforço da rede lusófona de autoridades especialistas, a definição de princípios comuns para uma IA segura e responsável, o desenvolvimento de programas conjuntos de capacitação, o estabelecimento de mecanismos seguros para a criação fronteiriça de dados, dentre outras.

O webinar constituiu igualmente uma oportunidade para a partilha de experiências entre os países de língua portuguesa, evidenciando a importância da cooperação e da concertação de esforços para responder aos desafios emergentes da economia e da sociedade digitais.

De referir que a AICEP é uma associação que promove a cooperação, o desenvolvimento e a modernização do sector das comunicações no espaço lusófono, congregando operadores dos sectores postal e de telecomunicações, televisão, reguladores e empresas de tecnologia dos países de língua oficial portuguesa. A organização promove o debate e a reflexão estratégica, bem como a partilha e divulgação de boas práticas no domínio das comunicações e das tecnologias digitais.

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