Moçambique aposta em infra-estrutura computacional para reforçar soberania digital

Moçambique aposta em infra-estrutura computacional para reforçar soberania digital

 Moçambique defende o desenvolvimento de uma infra-estrutura computacional distribuída na África Austral como forma de acelerar a adopção da Inteligência Artificial (IA) e reforçar a soberania digital do continente.

A posição foi defendida pelo Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC), Prof. Doutor Eng.º Lourino Chemane, numa entrevista, à margem da GITEX Nigéria, onde abordou os desafios e oportunidades relacionados com a expansão da capacidade computacional em África.

Segundo o PCA do INTIC, Moçambique não encara o desenvolvimento da sua capacidade computacional como uma competição com a África do Sul, mas como uma oportunidade de complementar a infra-estrutura existente na região.

“Não é necessário concentrar o poder computacional num único país. É preciso distribuí-lo pela região”, afirmou Lourino Chemane, destacando o potencial de Moçambique em áreas como energia hidroeléctrica, solar e gás, recursos hídricos e conectividade internacional através de cabos submarinos.

Lourino Chemane salientou igualmente a importância da governação de dados no desenvolvimento da Inteligência Artificial. Para Chemane, “os dados são considerados o ouro deste século”, sendo necessário criar mecanismos que permitam a sua circulação transfronteiriça, sem comprometer a segurança nacional, a privacidade e os direitos dos cidadãos.

Neste âmbito, o INTIC aposta também na criação de condições para que a infra-estrutura computacional esteja acessível a startups, empreendedores digitais, academia e centros de investigação, contribuindo para o desenvolvimento de soluções de IA adaptadas à realidade moçambicana, incluindo às línguas e especificidades culturais nacionais.

Com apoio da União Internacional de Telecomunicações (UIT), Moçambique está igualmente a trabalhar na criação de um ambiente regulatório experimental para a Inteligência Artificial, que permitirá testar e avaliar soluções tecnológicas antes da sua aplicação em sectores sensíveis, como saúde e educação.

Moçambique participa ainda como país-piloto na implementação da abordagem da UNESCO sobre ética da Inteligência Artificial, reforçando a aposta numa IA responsável, segura e centrada no ser humano.

Para Lourino Chemane, a soberania digital exige que o país desenvolva não apenas capacidade para consumir tecnologias, mas também condições para participar na sua produção, governação e inovação.

“Da mesma forma que lutámos pela independência do nosso país, temos de lutar agora para garantir que Moçambique continue a ser um Estado soberano na era digital”, afirmou.

Para acesso à entrevista do PCA, aceda ao link abaixo: https://technext24.com/interview/mozambique-digital-sovereignty-interview/

Comments are closed here.