Moda e tecnologia abrem novas oportunidades para criadores moçambicanos

Moda e tecnologia abrem novas oportunidades para criadores moçambicanos

A digitalização está criando novas oportunidades para os criadores moçambicanos de moda, permitindo-lhes ampliar a divulgação de suas criações, alcançar novos consumidores e explorar mercados para além das fronteiras nacionais. Ao mesmo tempo, a presença crescente no ambiente digital exige maior atenção à segurança cibernética, à protecção de dados e à defesa da propriedade intelectual.

Esta perspectiva esteve em destaque no painel “Tecnologia e o Futuro da Moda” , realizado no âmbito do Fancy Africa Summit 2026 , que decorreu nos dias 28 e 29 de Setembro , no Centro Cultural Moçambique-China, em Maputo, sob o tema “Do Espelho ao Caminho” .

O painel reuniu o Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC, IP), Prof. Lourino Chemane , o Dr. Salimo Abdula, Edilson Alberto e Dr. Roberto Dove , sob moderação do Dr. Júlio Domingos.

A participação do INTIC permitiu destacar a importância de um ecossistema digital seguro, confiável e devidamente estruturado para que os criadores possam transformar a presença digital em oportunidades concretas de negócio. A utilização de lojas online, redes sociais e outras plataformas digitais permite aos criadores apresentar coleções, estabelecer contato direto com consumidores e projetar a moda moçambicana para outros mercados.

“ A moda digital precisa de duas formas de confiança: confiança tecnológica, para que as transações e os dados sejam tratados com segurança; e confiança jurídica e comercial, para que a criatividade seja reconhecida e os direitos respeitados ”, afirmou Lourino Chemane.

O PCA do INTIC sublinhou que a expansão das oportunidades digitais deve ser acompanhada por medidas que permitam aos criadores proteger suas contas, dados, imagens, desenhos e marcas contra utilização indevida, fraude e outros riscos associados ao ambiente online.

Neste, Moçambique dispõe actualmente de um quadro reforçado de segurança cibernética, com a entrada em vigor, a 29 de Setembro de 2026 , das Leis n.º 13/2026, de Segurança Cibernética, e n.º 14/2026, de Crimes Cibernéticos , publicadas em 1 de Julho de 2026. A Lei de Segurança Cibernética estabelece o regime jurídico aplicável à protecção das redes de comunicação de dados, sistemas de informação e infra-estruturas críticas.

A criação de condições para o crescimento da economia digital inclui igualmente o reforço das infra-estruturas tecnológicas. Os Decretos n.º 71/2025 e n.º 72/2025 , de 31 de Dezembro, estabeleceram, respectivamente, os regulamentos de Centros de Dados e de Computação em Nuvem , criando bases para serviços digitais mais estruturados, resilientes e seguros.

Para os criadores de moda, estes avanços representam condições importantes para ampliar a presença no mercado digital, mas a internacionalização exige também competências digitais, soluções de pagamento, logística, protecção da propriedade intelectual e conhecimento das regras dos mercados de destino.

O painel evidenciou, assim, que a tecnologia e a criatividade podem constituir instrumentos para ampliar o alcance econômico da moda moçambicana , desde que acompanhadas por segurança, confiança e capacidade de utilização estratégica das ferramentas digitais.

A participação do INTIC no Fancy Africa Summit 2026 reforça, deste modo, a necessidade de aproximar a transformação digital dos setores criativos, contribuindo para que jovens, empreendedores e empresas da indústria da moda possam utilizar as tecnologias não apenas para comunicar, mas também para criar, comercializar, proteger e expandir os seus negócios para novos mercados.

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