Moçambique apresenta avanços no combate ao cibercrime na Conferência Octopus 2026

Moçambique apresenta avanços no combate ao cibercrime na Conferência Octopus 2026

Moçambique apresentou os progressos alcançados no reforço do quadro legal e regulamentar de segurança cibernética e de prevenção e combate aos crimes cibernéticos durante a 35.ª Sessão Plenária do Comité da Convenção sobre o Cibercrime (Convenção de Budapeste) e a Conferência Internacional Octopus 2026, realizadas de 12 a 17 de Outubro, em Estrasburgo, França.

A participação de uma delegação do Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC, IP) permitiu partilhar os resultados das reformas legislativas em curso no país, com destaque para a entrada em vigor da Lei de Crimes Cibernéticos e da Lei de Segurança Cibernética, a 29 de Setembro de 2026, bem como para o desenvolvimento da proposta da Lei de Protecção de Dados Pessoais, que consta da agenda da Assembleia da República.

Estes avanços constituem marcos importantes para o fortalecimento da capacidade nacional de prevenção, investigação e combate à criminalidade digital, criando igualmente condições para aprofundar a cooperação internacional e avançar no processo de adesão de Moçambique à Convenção de Budapeste, cuja conclusão está prevista para 2027.

No decurso dos encontros, a delegação moçambicana destacou o contributo da cooperação internacional, particularmente do Conselho da Europa, através do Projecto GLACY-E, para o desenvolvimento do quadro jurídico e regulamentar nacional e o reforço das capacidades institucionais de resposta às ameaças cibernéticas.

A 35.ª Sessão Plenária do Comité da Convenção sobre o Cibercrime (T-CY), realizada nos dias 12 e 13 de Outubro, centrou-se na avaliação da implementação da Convenção de Budapeste e das actividades previstas para o semestre. Entre os principais resultados, destacaram-se a aprovação do relatório do grupo de trabalho sobre inteligência artificial e a discussão sobre as fraudes em linha (online scams), que culminou com a criação de um grupo de trabalho dedicado a esta problemática.

O T-CY é o órgão que reúne os Estados Partes da Convenção de Budapeste para promover a sua aplicação efectiva, facilitar a troca de informações e analisar possíveis actualizações do instrumento jurídico perante a evolução das ameaças digitais. Moçambique participa nas actividades como país observador desde 2024, encontrando-se em processo de adesão.

Por sua vez, a Conferência Internacional Octopus 2026, realizada de 14 a 16 de Outubro, assinalou o 25.º aniversário da Convenção de Budapeste, constituindo uma plataforma de intercâmbio e cooperação entre especialistas de mais de 100 países, organizações internacionais, sector privado, academia e sociedade civil.

Os debates incidiram sobre os desafios emergentes do cibercrime, com destaque para o impacto da inteligência artificial, a desinformação e a manipulação estrangeira, a repressão transnacional e a cooperação internacional na investigação de crimes facilitados pelo ambiente digital. Foram igualmente abordadas questões relacionadas com a utilização ilegal de activos virtuais, a produção de material de abuso sexual infantil com recurso à inteligência artificial e a divulgação não consentida de imagens íntimas.

Um dos resultados de destaque da conferência foi a assinatura, por oito países e pela União Europeia, de um novo tratado do Conselho da Europa destinado a reforçar a capacidade das autoridades para confiscar bens provenientes de actividades criminosas, incluindo criptoactivos. Na mesma ocasião, o Cazaquistão depositou o instrumento de adesão à Convenção de Budapeste, tornando-se, segundo a informação apresentada no evento, o 84.º Estado Parte.

À margem das sessões plenárias e da conferência, a delegação moçambicana participou em workshops regionais dedicados a África e em debates sobre desinformação e manipulação estrangeira, reforçando o intercâmbio de experiências e o contacto com parceiros internacionais. O PCA do INTIC, Prof. Doutor Eng.º Lourino Chemane, participou igualmente numa entrevista integrada nas comemorações dos 25 anos da Convenção de Budapeste, na qual foi abordado o impacto deste instrumento internacional e de iniciativas como o Projecto GLACY-E no desenvolvimento das capacidades nacionais de combate ao cibercrime.

A delegação manteve ainda contactos institucionais, com destaque para o encontro com Mrs. Albina Ovcearenco, Chefe da Divisão de Protecção de Dados e Inteligência Artificial do Conselho da Europa, no âmbito do reforço do diálogo e da cooperação em matérias relacionadas com a governação digital, a protecção de dados e a inteligência artificial.

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