Inteligência Artificial nas Comunidades Rurais em debate na FACIM
O Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação, (INTIC, IP), participou, no dia 3 de Setembro do corrente ano, num painel de debate com o tema “Inteligência Artificial nas Comunidades Rurais: Oportunidades de Desenvolvimento e Desafios de Cibersegurança e Privacidade”, realizado no Pavilhão do Ministério das Comunicações e Transformação Digital (MCTD), no âmbito da 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM).O painel, moderado por Ivone Muocha, do CITT, reuniu diferentes intervenientes ligados às áreas de tecnologia, inclusão digital e cibersegurança, designadamente os oradores Arsénio Chelengo, da Águia Consultores; Lordina Nharrave, Chefe do Departamento de Auditoria e Conformidade do INTIC; Pinki Meggi, representante do MOASIS; e Katya Chavel, representante do CITT.Na sua apresentação, Arsénio Chelengo destacou a necessidade de colocar a tecnologia ao serviço do cidadão, defendendo que a inovação deve estar orientada para a resolução de problemas concretos das comunidades rurais. Sublinhou, igualmente, a importância de criar maior abertura para o uso da Inteligência Artificial (IA), investir na capacitação dos técnicos e assegurar uma formação de qualidade, adaptada aos contextos e às necessidades locais.Por sua vez, Pinki Meggi chamou atenção para a importância da inclusão no processo de transformação digital, defendendo o envolvimento de jovens e pessoas com deficiência. Destacou ainda a necessidade de garantir segurança e ética no uso das plataformas digitais, bem como criar condições para que as comunidades rurais tenham acesso às tecnologias de forma progressiva e de acordo com o seu ritmo de aprendizagem.A representante do MOASIS ressaltou também a importância da capacitação de pessoas com deficiência, incluindo a introdução de línguas de sinais e a realização de formações intensivas. Sublinhou a necessidade de reconhecer as limitações da Inteligência Artificial e, simultaneamente, aproveitar o seu potencial para promover o desenvolvimento das comunidades, estimular negócios e garantir que os benefícios das novas tecnologias sejam acessíveis a todos.Na sua intervenção, Lordina Nharrave, do INTIC, destacou a necessidade de promover um uso seguro e responsável da Inteligência Artificial, de modo a garantir confiança entre os cidadãos e as tecnologias digitais. Defendeu que os utilizadores devem ter conhecimento sobre a forma como os seus dados são tratados, para que finalidade são utilizados e quais os mecanismos existentes para a sua protecção.Lordina, referiu ainda a importância do quadro legal de cibersegurança e protecção de dados no espaço cibernético, das infraestruturas digitais e da privacidade dos cidadãos. Neste contexto, destacou algumas das acções que têm vindo a ser realizadas pelo INTIC, incluindo campanhas de sensibilização, palestras e webinars, com enfoque na prevenção e combate aos crimes cibernéticos. Reforçou igualmente a necessidade de assegurar princípios éticos no desenvolvimento e utilização da Inteligência Artificial, bem como criar mecanismos acessíveis para a denúncia de incidentes cibernéticos e de situações relacionadas com o tratamento inadequado de dados pessoais, disse Lordina.Por seu turno, Katya Chavel, defendeu a necessidade de construir confiança nas tecnologias e nos instrumentos digitais disponibilizados aos cidadãos. Destacou a importância de reforçar a capacidade de identificar fraudes, burlas e formas de manipulação através de voz e imagem, incluindo conteúdos gerados ou alterados com recurso à Inteligência Artificial.A representante do CITT salientou ainda a necessidade de promover a literacia e a inclusão digital, capacitando os cidadãos para o uso seguro das plataformas digitais e para a verificação da autenticidade das informações antes de as partilhar ou aceder a links considerados suspeitos. Defendeu igualmente a criação de mecanismos e agentes de confiança nas comunidades, capazes de apoiar os cidadãos em situações de fraude e burla e contribuir para uma utilização mais segura dos serviços digitais.O debate evidenciou que a Inteligência Artificial pode constituir uma importante ferramenta para acelerar o desenvolvimento das comunidades rurais, desde que a sua adopção seja acompanhada por inclusão digital, capacitação, literacia tecnológica, protecção de dados, cibersegurança e princípios éticos.A participação do INTIC neste painel reforça o seu compromisso com a promoção de um ecossistema digital seguro, inclusivo e responsável, contribuindo para que os benefícios da transformação digital e da Inteligência Artificial possam chegar de forma segura e sustentável às comunidades rurais.
Comments are closed here.