Formação reforça papel do professor na promoção da segurança digital dos alunos
O Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC), em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), capacitou cerca de 50 professores que leccionam a disciplina de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) a alunos dos 12 aos 17 anos, no ensino básico e técnico-profissional, no âmbito das celebrações do Mês da Internet Mais Segura.
As formações tiveram início no dia 26 de Fevereiro de 2026, no Hotel Avenida, na cidade de Maputo, envolvendo cerca de 35 docentes no primeiro dia e aproximadamente 20 no segundo. A iniciativa teve como foco principal o reforço das competências dos professores em matérias de cibercrime, com vista à promoção de uma navegação mais segura, responsável e consciente por parte dos alunos.
Durante a abertura das sessões, a representante da UNODC, Marlie-Line, sublinhou que a protecção da criança no ambiente digital deve ser entendida como uma responsabilidade colectiva.

A responsável destacou ainda o papel do Estado na massificação de mecanismos eficazes de reporte e resposta a incidentes, bem como a importância do diálogo no seio familiar. Segundo explicou, é fundamental que haja maior abertura entre pais e filhos sobre crimes cibernéticos e uso seguro da internet, defendendo que a educação digital deve ser encarada como uma competência essencial desde a infância, com regras e limites claros.

Por sua vez, o Consultor e Analista de Vulnerabilidades de Segurança Cibernética no INTIC, Judas Tadeu, abordou as principais ameaças que afectam adolescentes e jovens no espaço digital, como o cyberbullying, o phishing, a exposição indevida de informações privadas, o download acidental de vírus e a actuação de predadores virtuais. Para o especialista, a adopção de boas práticas pode reduzir significativamente os riscos. “Manter o PIN do M-Pesa ou do cartão bancário em sigilo, não partilhar dados pessoais com desconhecidos, utilizar palavras-passe fortes e ter cuidado ao usar redes Wi-Fi gratuitas são medidas simples, mas extremamente eficazes na prevenção de ataques”, explicou.
Judas Tadeu reforçou igualmente o papel do professor como agente de mudança dentro da escola. “O professor deve cultivar um ambiente onde o erro não é punido, mas sim utilizado como oportunidade de aprendizagem, encorajando os alunos a pedir ajuda sem medo de represálias ou de confisco dos seus dispositivos”, acrescentou.
O especialista de Segurança Cibernética de Aplicações e Plataformas Digitais no INTIC, Gilberto Ngoca, chamou a atenção para a necessidade de vigilância atenta por parte dos docentes relativamente a sinais de alerta nos alunos, tais como mudanças bruscas de comportamento, isolamento repentino, ansiedade associada ao uso do telemóvel, recusa em frequentar a escola ou queda no rendimento académico. Defendeu uma abordagem sensível e discreta, centrada na protecção da dignidade da criança.
Para Ngoca, a segurança digital ultrapassa a dimensão tecnológica e insere-se no campo dos direitos humanos. “A protecção da criança no ambiente digital não é apenas uma questão de segurança tecnológica, mas um imperativo de direitos humanos, alinhado à Convenção sobre os Direitos da Criança e às recomendações da UNICEF, que defendem que os direitos da criança devem ser igualmente garantidos no espaço online”, afirmou.

Esta acção faz parte das celebrações do Mês da Internet Mais Segura que tem servido como plataforma para a realização de palestras nas escolas, webinários, workshops e outras acções de sensibilização, reforçando o compromisso institucional com a construção de um ciberespaço mais seguro, resiliente e confiável para todos.
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